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Educação

De Olho no Céu amplia horizontes e abre espaço para novos públicos

14ª edição do projeto reúne estudantes e famílias em atividades de astronomia e promove inclusão ao abrir, pela primeira vez, a programação para o público externo, com foco em crianças neurodivergentes

Publicado em Dom, 23 ago 2026 14:09:18 +0000 Atualizado em Dom, 23 ago 2026 14:09:19 +0000

A observação do céu é uma das práticas mais antigas da humanidade. Há mais de 10 mil anos, povos de diferentes partes do mundo já recorriam ao sol, à lua e às estrelas para medir o tempo, criar calendários e orientar atividades como a agricultura e a navegação. Hoje, mesmo com o avanço da tecnologia, que automatizou muitas dessas funções, observar o céu continua despertando o interesse de milhares de pessoas de todas as idades.
 

Para o coordenador do projeto De Olho no Céu, do Sesc-DF, Demetrius Leão, a fascinação humana pelo céu está relacionada à curiosidade diante do desconhecido. “Olhar para fora é olhar para o desconhecido, é conhecer os mistérios da vida”, afirma. Dos 17 anos em que trabalha na instituição, há 14 ele está à frente do projeto, que chegou à 14ª edição neste mês de agosto.


Na quinta-feira (20/8), estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio da rede EduSesc deixaram a sala de aula para observar, durante toda a madrugada, estrelas, constelações, planetas e a lua. Realizada em um sítio em Brazlândia, a atividade reuniu cerca de 100 jovens, que tiveram a oportunidade de vivenciar a astronomia na prática.


“Aqui nós aprendemos trabalho em equipe, a nos ajudarmos, a estarmos juntos e a contemplar o universo. É maravilhoso”, disse a estudante do Ensino Médio Gabriella Karinny.


A 14ª edição do De Olho no Céu também marcou uma novidade: pela primeira vez, o projeto abriu as portas para o público externo. Realizado neste sábado (22/8), no Jardim Botânico, o evento recebeu mais de 100 famílias com crianças e jovens neurodivergentes, muitos deles com hiperfoco em astronomia.


José Leonardo Caetano, de 10 anos, foi um dos participantes. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ele conta que pesquisa sobre o universo desde os 3 anos. Aficionado por galáxias e planetas, explica a origem da paixão: “Astronomia é o estudo de planetas para além do nosso, a gente pode descobrir se estamos sozinhos ou não no universo”.
A mãe de José, Janete Caetano, conta que a curiosidade e o interesse do filho pela astronomia surgiram de forma espontânea. “Não foi nada ensinado. Tudo que ele sabe é ele que pesquisa. Eu e o pai vimos que ele tinha esse hiperfoco desde que começou a falar. Então, estimulamos e guiamos a leitura e a pesquisa”, relata.

Professora, Janete destaca que o De Olho no Céu representa uma oportunidade não apenas para ampliar o conhecimento do filho, mas também para fortalecer sua socialização — processo importante para o desenvolvimento da autonomia, da comunicação e da convivência. “Quando ele entra nesse universo, fica maravilhado, encantado com tudo que pode ver e com quem pode conversar, pois não é toda criança que consegue conversar com ele sobre o assunto. Quando ele fala daquilo que sabe e consegue se inserir no grupo, eu, como mãe, fico muito satisfeita, pois é quando a neurodivergência, para ele, não é nada”, afirma.


Assim como José Leonardo, as crianças que participaram da primeira edição do De Olho no Céu voltada ao público externo percorreram um circuito de atividades que estimulou o trabalho coletivo, a curiosidade e o interesse por ciência e tecnologia. Ao longo de quase cinco horas de programação, participaram de palestra e exposição sobre missões espaciais, com o professor Daniel Vinhal; oficinas de Relógio Solar e de Constelações; sessões de planetário; roda de conversa; e observação da lua e de planetas com o auxílio de telescópios.


O interesse em continuar fazendo parte do De Olho no Céu revela o impacto do projeto entre os participantes. Estudantes que se formarão neste ano já manifestam o desejo de retornar como monitores, enquanto famílias que participaram da primeira edição aberta ao público pedem novas oportunidades de vivenciar a experiência. Para o Sesc-DF, a continuidade desse vínculo reforça a proposta de promover qualidade de vida por meio do acesso à educação, à ciência e à tecnologia. Mais do que olhar para o céu, o projeto amplia horizontes, estimula a curiosidade e cria espaços de convivência e aprendizado que podem permanecer para além de cada edição.